Especialista em gestão de saúde alerta que o último trimestre do ano é decisivo para ajustes operacionais e estratégicos que impactam diretamente o próximo ciclo
O início de outubro representa mais do que a reta final do ano para clínicas e consultórios. O período marca os últimos 90 dias úteis para rever indicadores de desempenho, corrigir rotas e consolidar práticas que podem garantir sustentabilidade em 2026. No setor de saúde, pressionado pelo aumento de custos operacionais, essa revisão é considerada essencial. De acordo com o Observatório Anahp, o custo com pessoal representou 37,41% das despesas médias dos hospitais associados no 2º trimestre de 2024, evidenciando a pressão sobre a necessidade de maior eficiência.
Segundo o professor e consultor Éber Feltrim, CEO da SIS Consultoria, que atua há mais de 30 anos na gestão de negócios de saúde, a fase exige disciplina e análise criteriosa. “Outubro funciona como um laboratório estratégico. Quem aproveita esse trimestre para testar novos processos e alinhar equipes chega a janeiro com clareza de metas, evitando improvisos que custam caro”, afirma.
Entre as prioridades, Feltrim destaca a revisão de indicadores de desempenho. Métricas como taxa de absenteísmo, tempo médio de atendimento e ocupação da equipe permitem identificar gargalos e ajustar fluxos antes do início do próximo ciclo. Estudo da Deloitte mostra que instituições que investem em organização de processos reduzem em até 15% seus custos anuais e aumentam a satisfação dos pacientes.
Outro ponto-chave é o alinhamento das equipes às metas institucionais. De acordo com levantamento da Harvard Business Review, empresas que comunicam claramente suas diretrizes têm 20% mais chances de alcançar objetivos. No ambiente clínico, isso se traduz em maior engajamento dos profissionais e impacto direto na qualidade do atendimento. “Quando o time sabe onde precisa chegar e enxerga a relevância de suas entregas, o clima organizacional melhora e os resultados aparecem”, explica o especialista.
A análise financeira também deve ser prioridade neste período. Um estudo da Accenture aponta que organizações de saúde que utilizam ferramentas de análise financeira aumentam sua eficiência em até 20%. Para Feltrim, compreender a rentabilidade de cada serviço é o que orienta investimentos futuros. “Muitas clínicas entram no ano sem clareza de quais procedimentos são realmente lucrativos. Isso leva a decisões equivocadas. Outubro é o momento ideal para cruzar dados, avaliar margens e desenhar estratégias com base em números reais”, afirma.
Além dos aspectos internos, o especialista reforça que o último trimestre também deve ser usado para validar mudanças junto ao público. Adoção de novos sistemas de gestão, ajustes de precificação ou implementação de protocolos de atendimento podem ser testados agora, permitindo ajustes antes da virada do calendário. “É muito mais seguro errar em outubro do que improvisar em janeiro, quando a pressão por resultados é maior”, pontua Feltrim.
A recomendação é que clínicas estabeleçam um cronograma com metas de curto prazo a serem cumpridas até dezembro, com revisões quinzenais e acompanhamento rigoroso. A estratégia inclui revisão de estoques, planejamento de férias de equipes e definição de campanhas sazonais, como check-ups de fim de ano, que costumam ampliar o movimento.
“O mercado da saúde exige preparo. Outubro é a virada estratégica que separa quem apenas sobrevive de quem entra no próximo ano com bases sólidas para crescer”, conclui Feltrim.
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