Como escolher o melhor ponto para montar sua clínica?

Como escolher o melhor ponto para montar sua clínica?

Se você vai mudar sua clínica de lugar ou vai começar a trabalhar num local novo, te convido a parar uns minutos neste artigo. E se ao invés de alugar a sala, você vai comprar um imóvel, te convido a dedicar muitos minutos nesta leitura. Algumas ferramentas poderão te ajudar a ter mais clientes e não perder os que você já conquistou até hoje.

 

No Brasil, o problema não é o número de pacientes em falta ou profissionais em excesso, na verdade o que falta é acesso da população ao atendimento de saúde. E mais: via de regra as pessoas não priorizam a prevenção e em alguns casos, não priorizam a saúde.

Montar um consultório não é tão simples. É preciso planejar o empreendimento, pois seu consultório é uma empresa e deve ser administrada como tal.

Qual(is) especialidade(s) sua clínica vai oferecer? Qual público pretende atender? Homens, crianças, mulheres, idosos, pacientes especiais... Você não pintaria sua clínica toda de roxo, não é mesmo? Mas pintaria de azul? Amarelo? Verde? Isso mostra que as cores também constituem outro elemento fundamental na apresentação de uma clínica. Se as cores são importantes para você, são para seus clientes também. Pesquisas (Canadian Colour Institute) mostram que o ser humano julga um ambiente nos primeiros 90 segundos de observação, isso é subconsciente e esse julgamento em 62 a 90% é baseado exclusivamente na cor. Agora vamos pensar numa clínica ao lado de uma penitenciária, teria algum problema ou esse ponto não interfere nos resultados (lê-se lucro!) da clínica?

Você deve estar se perguntando o que tudo isso tem com você. Aparentemente não tem grande importância encontrar respostas para essas perguntas. Outros podem argumentar: os clientes estão preocupados com minha qualidade técnica e não dão importância à localização da minha clínica. O ponto, que a variável do marketing que se refere à localização, layout e evidências físicas da sala, interfere nos clientes que te procuram e os clientes interferem diretamente no resultado de uma clínica. E, por sua vez, o resultado vem da diferença entre receitas e despesas e pode ser lucro ou prejuízo. Quem define se a clínica terá lucro ou prejuízo é você! E isso é ótimo, pois obviamente você vai optar por ter lucro!

O paciente não avalia uma única característica, mas a situação como um todo.

É imprescindível considerar que o ser humano é sensorial e, portanto, responde de maneiras variadas aos diversos estímulos que recebe. Essas respostas estão vinculadas às cores, sons, localização e todas as demais características físicas do consultório.

Segundo Brum, o consumidor pode perceber três dimensões importantes da empresa prestadora de serviços:

  • Características mentais subjetivas – o local de venda torna-se um veículo de comunicação com o consumidor, pois está carregado de significados e simbolismos;
  • Características funcionais – os desejos dos consumidores estão ligados à conveniência, à dimensão lógica, à um propósito ou função;
  • Estrutura visual: mensagens diretas que geram percepção através de todos os elementos.

Assim, a arquitetura e a forma de exposição (decoração) apresentam absoluta importância na comunicação com o paciente, facilitando (ou dificultando) a venda dos serviços.

Diante de tudo isso, por onde devo começar o projeto para minha nova clínica?

  1. Primeiro: defina seu público alvo. O público alvo é formado por pessoas que assumem algumas características comuns entre si e estão dispostas a comprar o que a clínica oferece. Aqui, cabe planejar se você vai atender clientes particulares, convênios, apenas crianças ou idosos, entre outros. Você deve criar seus serviços de maneira específica para um grupo de pessoas, sob pena de oferecer algo que ninguém queira comprar e sua agenda ficar sempre vazia. Considerar uma correta segmentação do mercado, que consiste em itentificar grupos de clientes com necessidades e preferências semelhantes, permitindo que a clínica adapte sua política de marketing ao seu público.
  2. Segundo: planeje as salas necessárias. O primeiro passo para esse planejamento é fazer uma lista (escrever mesmo!) com os espaços mínimos necessários para atender o público que você selecionou acima. Não esquecer de seguir as exigências da Vigilância Sanitária. Você pode encontrar tais informações no site www.anvisa.gov.br. Lembre-se de ter espaço suficiente para paredes, áreas de circulação e corredores. Um profissional de arquitetura trabalhando junto com a Consultoria poderá programar adequadamente a questão. É muito comum encontrarmos clínicas com ar condicionado de 12.000 BTU em salas que poderiam ser muito bem refrigeradas com 9.000 BTU. A justificativa de comprar o de maior capacidade é que este tem o mesmo preço (ou quase o mesmo...) que o de 9.000 BTU. Até aí, é verdade, pois o preço tem pouquíssima variação. Vamos considerar que a clínica tem apenas 3 salas (recepção, escritório e sala clínica); pense no quanto de energia sua clínica gastará a mais mensalmente se você tiver um planejamento incorreto de refrigeração. Agora, dimensione para 6 salas, 7 salas... Ambientes superdimensionados geram despesas desnecessárias e subdimensionados geram desconforto para seu cliente, além de baixa produtividade.
  3. Terceiro: depois de definir o público alvo e planejar as salas necessárias, é hora de escolher o ponto propriamente dito. A pergunta aqui é onde montar o consultório? Conheça o local onde será seu consultório; vá várias vezes e sempre acompanhado de outras pessoas, que poderão te mostrar “defeitos” que você não tenha percebido na primeira vez. Quem é o público deste bairro?  O poder aquisitivo deste bairro é baixo ou mais alto; é coincidente com o público que você selecionou para atender? A estrutura física é apropriada ou apresenta muitos obstáculos ao cliente (portas, escadas). É iluminado? É um local de circulação de pedestres ou de carros? Essa pergunta oferece grande diferença na hora de escolher o ponto, pois se seus clientes irão de carro, o estacionamento é fundamental. Cuidado com negócios baratos demais. Milagres não existem e se o negócio é da China, qual o motivo de outros não quererem?
  4. Quarto: nesta fase, já selecionamos o público que a clínica vai atender, sabemos exatamente a função de cada uma das salas que a clínica precisa, e determinamos o ponto. Agora, precisamos legalizar a clínica. Providencie registro de autônomo junto à prefeitura da cidade que você pesquisou e escolheu para trabalhar. Faça sua inscrição junto ao INSS para recolhimentos mensais; cuidado com orientações ‘empíricas’; existe lei que regulamenta isso. Providencie o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária Municipal e do corpo de bombeiros. Legalize seu aparelho de raio X e tenha o laudo radiométrico sempre atualizado.
  5. Quinto: a clínica ainda não está pronta para inauguração. Nesta fase cabe criar uma logomarca, a partir da escolha de um nome, providenciar seus registros junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e conselhos de classe. Desenvolva toda a identidade visual da sua clínica, que envolve receituário, cartão de visita, envelopes, fichas clínicas e anamnese.

Agora é ação! Com um plano de divulgação em mãos e uma estratégia de diferenciação competitiva, que serão assuntos para outra hora, você tem todos os requisitos para ter sucesso. Lembre-se, sempre faça as coisas com base em um planejamento seguro e jamais assuma dívidas além do seu potencial econômico.

* Publicação autorizada desde que citado o autor e site www.sisconsultoria.net

* Por Dr. Éber Eliud Feltrim